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Certificação HIMSS: o que é e sua importância para uma gestão hospitalar de excelência

Neste artigo você verá:

Em instituições cada vez mais guiadas por tecnologias de ponta, é preciso que a gestão hospitalar saiba como utilizá-las estrategicamente para melhorar a qualidade do cuidado, otimizar processos e promover a segurança do paciente. 

Nesse contexto, a certificação HIMSS desponta como um dos principais selos de maturidade digital na saúde.

Se você é gestor ou atua em alguma função estratégica dentro de uma instituição de saúde, entender o que é a certificação HIMSS e o que ela representa pode ser o primeiro passo para transformar seu hospital em um modelo de inovação, eficiência e cuidado centrado no paciente.

O que é a certificação HIMSS?

A certificação HIMSS é um reconhecimento internacional concedido pela Healthcare Information and Management Systems Society, uma organização sem fins lucrativos sediada nos Estados Unidos, especializada em promover avanços na tecnologia da informação em saúde.

A HIMSS desenvolveu o modelo EMRAM (Electronic Medical Record Adoption Model), que avalia o nível de adoção e uso dos prontuários eletrônicos e outras tecnologias digitais em instituições de saúde. 

O modelo mede a maturidade digital de hospitais, clínicas e redes de atendimento por meio de uma escala que vai do nível 0 ao nível 7 — sendo este o mais alto.

Dessa forma, ter a certificação HIMSS, especialmente nos níveis mais elevados, é uma forma de comprovar que o hospital utiliza tecnologia de forma integrada e estratégica para oferecer um cuidado mais seguro, eficiente e baseado em evidências.

Além do EMRAM, a HIMSS também oferece modelos para outras áreas da saúde, como AMAM (para uso de analytics), INFRAM (infraestrutura digital) e O-EMRAM (modelo para operadoras de saúde), mas o EMRAM é o mais tradicional e conhecido.

Como funciona o processo de certificação HIMSS

O processo de certificação HIMSS é criterioso e estruturado em diversas etapas que envolvem:

  • Autoavaliação, onde a instituição preenche um questionário para identificar seu nível atual de maturidade digital segundo os critérios da HIMSS;
  • Planejamento e adequações, onde, com base nos resultados da autoavaliação, a organização pode planejar melhorias, adoção de tecnologias e mudanças nos processos;
  • Submissão à HIMSS, quando após estar confiante de que atende aos requisitos do nível desejado, a instituição submete um pedido de validação oficial;
  • Visita e auditoria técnica, com representantes da HIMSS realizando uma auditoria presencial (ou virtual, em alguns casos) para validar os critérios técnicos e operacionais;
  • Certificação oficial, concedida após aprovação, onde o hospital recebe o selo de certificação correspondente ao nível atingido.

Todo o processo exige o envolvimento de diferentes áreas — TI, equipe clínica, gestão hospitalar, compliance e segurança da informação — e pode durar de alguns meses a mais de um ano, dependendo da estrutura e maturidade da instituição.

Os 7 níveis da certificação HIMSS

O EMRAM divide a maturidade digital das instituições de saúde em 8 níveis (classificados de 0 a 7), com critérios cada vez mais avançados em termos de digitalização, interoperabilidade e uso inteligente de dados. A seguir, confira um resumo de cada nível:

Nível 0 – Inexistência de registro eletrônico estruturado

A instituição ainda utiliza prontuários 100% em papel, com prescrições e anotações sendo feitas manualmente e não possui sistemas clínicos ou administrativos digitalizados, com exames de imagem e laboratoriais sendo armazenados fisicamente.

Nível 1 – Presença de sistemas laboratoriais, radiológicos e farmacêuticos

O hospital começa a adotar sistemas básicos para áreas específicas, como laboratório, radiologia e farmácia — mas ainda de forma isolada e sem integração com dados clínicos.

Nível 2 – Digitalização parcial e começo da integração de sistemas

Os sistemas clínicos ainda funcionam de forma separada, mas já há padronização de vocabulário clínico (ex: CID-10, LOINC) e alguma integração inicial entre áreas. A radiologia também armazena imagens em PACS, mas o acesso é feito por sistemas separados.

Nível 3 – Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) implantado

O estágio 3 é o primeiro nível em que o uso do prontuário eletrônico passa a ser obrigatório. Diagnósticos, prescrições e evoluções clínicas agora são lançadas de forma digital diretamente no sistema.

Nível 4 – Suporte à decisão clínica

O sistema começa a ajudar na tomada de decisão por meio de alertas automáticos, regras clínicas e prevenção de erros, como interações medicamentosas e incompatibilidades com alergias registradas. Além disso, sugere protocolos clínicos baseados em evidência para determinadas condições (ex: sepse).

Nível 5 – Integração com dispositivos médicos

Os equipamentos médicos (como monitores cardíacos, ventiladores, bombas de infusão) passam a enviar dados automaticamente para o prontuário eletrônico. Dessa forma, a pressão arterial de um paciente monitorado entra automaticamente no PEP, sem necessidade de digitação manual. 

Dados de oxigenação e frequência cardíaca também são capturados em tempo real nos setores de UTI ou centro cirúrgico.

Nível 6 – Interoperabilidade e governança clínica baseada em dados

A instituição utiliza sistemas interligados e protocolares para apoiar a jornada do paciente. Há governança de dados clínicos, padronização de processos, integração entre setores e suporte analítico.

Dessa forma, equipes multidisciplinares acessam e contribuem com o mesmo PEP, a instituição consegue monitorar indicadores clínicos em tempo real (ex: taxas de infecção, tempo de permanência hospitalar) e o analytics é utilizado para gestão de qualidade e segurança.

Nível 7 – Totalmente digital, com uso de dados para melhoria contínua

A instituição opera em um ambiente totalmente digital, interoperável, e 100% paperless, além do uso intensivo de dados para prevenção de riscos, predição de eventos adversos e apoio à gestão clínica e operacional.

É um reconhecimento internacional de excelência na gestão hospitalar e no cuidado ao paciente.

Benefícios da certificação HIMSS para sua instituição de saúde

Buscar a certificação HIMSS vai muito além de conquistar um selo internacional. Trata-se de uma transformação profunda na forma como a instituição utiliza a tecnologia para melhorar resultados assistenciais e operacionais. A seguir, veja os principais benefícios:

Aprimoramento da segurança do paciente

Com sistemas integrados, alertas clínicos, registros automatizados e protocolos baseados em evidências, o risco de erros médicos, reações adversas e falhas de comunicação é drasticamente reduzido.

Eficiência operacional

Processos manuais e retrabalho são substituídos por fluxos digitais, com maior padronização, rastreabilidade e agilidade. A mudança reflete em economia de tempo, recursos e aumento da produtividade da equipe.

Qualidade assistencial

A digitalização dos dados clínicos permite uma visão holística do paciente, facilitando a tomada de decisões mais assertivas, personalizadas e embasadas em dados históricos e indicadores clínicos.

Competitividade e reputação

Ter a certificação HIMSS, especialmente em níveis avançados (6 ou 7), posiciona a instituição como referência em inovação, qualidade e gestão moderna, o que contribui para atrair talentos, pacientes e parcerias estratégicas.

Base para transformação digital contínua

O processo de adequação aos critérios da HIMSS exige a criação de uma cultura de inovação, monitoramento de resultados e melhoria contínua — elementos essenciais para instituições que buscam evoluir em um setor em constante transformação.

Passos para obter a certificação HIMSS

Alcançar a certificação HIMSS requer planejamento estratégico, investimentos e o engajamento de toda a equipe. Veja os principais passos para iniciar essa jornada:

Avalie o nível atual de maturidade digital da instituição. Comece com uma autoavaliação gratuita disponível no site da HIMSS. Essa etapa ajudará a identificar em que estágio sua instituição se encontra e quais critérios precisam ser trabalhados para avançar.

Crie um comitê multidisciplinar. Envolver representantes das áreas de tecnologia, gestão, enfermagem, corpo clínico e qualidade é essencial para garantir que todas as frentes da certificação sejam contempladas.

Defina metas e prioridades. Com base nessa autoavaliação, elabore um plano de ação com prazos, responsáveis e metas claras para atingir os critérios de cada nível. Comece pelas lacunas mais críticas, como ausência de prontuário eletrônico ou falta de integração entre sistemas.

Invista em tecnologias interoperáveis. É fundamental que os sistemas da instituição se comuniquem entre si e que o fluxo de dados clínicos seja contínuo, confiável e seguro. A escolha de fornecedores e parceiros tecnológicos estratégicos é decisiva nesse ponto.

Promova treinamento e mudança cultural. Não basta apenas ter a tecnologia, é preciso também que ela seja bem utilizada. Capacitar a equipe, incentivar o uso de protocolos digitais e trabalhar a adesão clínica ao prontuário eletrônico são etapas fundamentais.

Solicite a auditoria HIMSS. Quando todos os requisitos do nível desejado forem atendidos, é hora de solicitar a auditoria oficial. A HIMSS enviará seus especialistas para avaliar in loco os processos, tecnologias e práticas da instituição.

Comunique e celebre a conquista. A certificação é uma grande vitória institucional. Divulgue o selo HIMSS para pacientes, parceiros e equipe, reforçando o compromisso com a excelência, inovação e cuidado humanizado.

A importância de contar com uma consultoria especializada para a certificação HIMSS

Alcançar a certificação HIMSS é um desafio técnico e estratégico que exige não apenas a implementação de tecnologias, mas também uma mudança profunda na cultura organizacional, nos fluxos de trabalho clínico e na governança da informação. 

Diante desse cenário, contar com o apoio de uma consultoria especializada pode ser decisivo para o sucesso do processo.

Uma consultoria experiente oferece visão estratégica, conhecimento técnico aprofundado dos critérios da HIMSS e vivência prática em projetos de transformação digital em saúde. Isso permite que o hospital ou clínica evite erros comuns, antecipe obstáculos e acelere o caminho até a certificação.

Principais vantagens de uma consultoria especializada:

  • Mapeamento detalhado da maturidade digital atual da instituição, com identificação de lacunas e pontos críticos;
  • Elaboração de plano de ação personalizado, alinhado aos objetivos estratégicos da organização;
  • Suporte técnico para a escolha e integração de sistemas que atendam aos requisitos da HIMSS;
  • Capacitação e engajamento das equipes clínicas e administrativas, promovendo adesão e uso efetivo das tecnologias;
  • Simulações de auditorias e orientação para a preparação de evidências e documentação necessárias;
  • Acompanhamento contínuo, com indicadores de evolução, entregas por fase e suporte até a auditoria final.

Quando é o momento ideal para buscar uma consultoria?

Um serviço de consultoria pode ser contratado logo após a autoavaliação inicial ou mesmo antes, durante o processo de diagnóstico da instituição. 

Quanto antes um suporte especializado for inserido na jornada, maior a previsibilidade, o controle e a chance de sucesso na certificação — especialmente em hospitais com estruturas complexas ou que buscam os níveis mais avançados, como o 6 e o 7.

Conclusão

A certificação HIMSS representa uma mudança de paradigma na forma como as instituições de saúde operam, cuidam e evoluem. 

Se sua instituição está em busca de excelência na gestão hospitalar, investir no processo de certificação HIMSS pode ser o caminho mais sólido para garantir um futuro mais conectado, inteligente e centrado no paciente.

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